OS PIONEIROS DA ATF-RJDefinição da Comissão de História da ABRATEF Definição da Comissão de História da ABRATEF: Aqueles que já faziam parte do movimento de terapia familiar até a fundação da ABRATEF em 1994. Os que iniciaram associações ou cursos nos quais ainda não existia o movimento, de terapia familiar em Estados ou Cidades em que ainda não existia o movimento, mesmo que tenha sido após a fundação da ABRATEF. Nota da ATF-RJ: Todo associado que se enquadrar nesta definição de PIONEIRO deve encaminhar sua história para secretaria da ATF-RJ. A relação abaixo segue a ordem cronológica dos textos recebidos.
SANDRA SALOMÃOMinha história de pioneirismo refere-se ao emprego da Gestalt-terapia no atendimento a casais e famílias, ainda na década de 90, a co-confecção e co- implantação de um modelo de intervenção relacional com base na Gestalt-terapia e na teoria sistêmica de família, a capacitação de terapeutas de família através do um curso de Intervenção Relacional Gestáltico Sistêmico em terapia de família, no CgT Sandra Salomão, inaugurado no ano de 2003, em dupla coordenação e parceria com Ana Cristina Felisberto, psicóloga especialista em Terapia sistêmica de família. Também gostaria de mencionar a criação da disciplina de Ciclo Vital da família, no segmento de desenvolvimento, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, disciplina que aborda um tema central do trabalho com famílias-o desenvolvimento através do ciclo vital e o genograma, com ementa baseada na teoria sistêmica de famílias e na Gestalt-terapia. A tendência ao pioneirismo já havia sido inaugurada quando adotei a gestalt-terapia como a abordagem de orientação teórica e metodológica em 1979, década em que este modelo de psicoterapia chegou ao Brasil. A própria abordagem propunha um atendimento ao cliente mais abrangente e contextualizada com seu grupo familiar ou social, mas não havia no Rio de Janeiro uma prática ou sistematização de formação específica na área de família em gestalt-terapia. A minha atuação efetiva no campo da terapia de família com ênfase na gestalt-terapia começa através de uma formação obtida no San Diego Training Center, Califórnia, EUA, nos anos 94/96, coordenado por Miriam e Erving Polster, instituição na qual obtive meu primeiro treinamento em terapia de casal e família. Ainda no final dos anos 90, necessitava de mais conhecimento, interlocutores e rede profissional na clínica com famílias e então comecei uma especialização na Núcleo pesquisas, com Moisés Groisman, na qual me formei, embora continuasse a dar prosseguimento a outros treinamentos na área de Gestalt com casais e famílias com Joseph Zinker e Richard Hycner, profissionais que foram trazidos ao Rio de Janeiro para divulgar e transmitir o conhecimento em atendimento de casais e sistemas íntimos em gestalt-terapia para a comunidade de gestalt-terapeutas e interessados no tema família. TANIA DE OLIVEIRA LUCHIMeu trabalho clínico iniciou-se em 1976 tendo como base a abordagem psicanalítica, e como foco o atendimento individual de adultos no âmbito do hospital psiquiátrico. De 1982 a 1985 participei de um curso de “Psicoterapia de Base Psicanalítica”, no Grupo Petropolitano de Estudos Psicanalíticos, Coord. Dr. João Paulo dos Santos Gomes e professores Dr. Gilberto Lago e Dr. Lourival Coimbra, membros do Instituto de Medicina Psicológica da Sociedade Iracy Doyle. Comecei a trabalhar com famílias em 1977 no hospital psiquiátrico “Clínica e Solar Pedras Brancas” em Petrópolis-RJ, aonde trabalhei até 1982. Em 1979 fui morar em Paris-FR aonde fiz visitas a algumas instituições psiquiátricas, e comunidades terapêuticas, e ao retornar agreguei os conhecimentos adquiridos ao meu trabalho institucional. Em fins de 1979 iniciei supervisão em psicoterapia familiar com o enfoque hospitalar com a psicanalista Dra. Malvine Salcberg até o final de 1980. Em 1981 iniciei o trabalho clínico em consultório privado atendendo a adultos, famílias e casais sob a supervisão, por três anos, da psicanalista Dra. Sheiva Campos Rocha. Em 1984 fui morar em Milão - ITL onde freqüentei o curso do Centro Milanese de Terapia della Famiglia, dirigidos pelos Dr. Luigi Boscolo e o Dr. Gianfranco Cecchin. Nessa ocasião fiz um Seminário na Universitá Degli Studi Di Pavia , Scuola Di Specializzazione In Psichiatria , Pavia , Itália - “Terapia Della Famiglia Con Paciente Anoressico Crônico” – com a Dra. Mara Selvine Palazzoli, aonde tive a oportunidade de iniciar contacto com a mesma, o que me permitiu passar um dia no “Nuevo Centro Milanesi de Terapia della Famiglia”, um centro somente dedicado a pesquisa. Nessa ocasião assisti ao atendimento da Dra. Mara S. Palazzoli a uma família, ficando na equipe de observação atrás do espelho juntamente com a Dra. Giuliana Prata. Ao retornar ao Brasil senti necessidade de entrar em contato com outros terapeutas da área da terapia de família sistêmica relacional, e assim fiz parte da primeira turma de formação do curso Terapia Familiar Sistêmica, de 02/10/87 à 23/6/89, no Núcleo - Pesquisas Integradas da Família e do Adolescente - RJ, dirigido pelo Dr. Moises Groisman. Apresentei monografia em 1990. Em 1991 foi lançado o primeiro número da Revista Nova Perspectiva Sistêmica-RJ, publicação do Instituto de Terapia de Família- ITF, publiquei nessa revista os seguintes artigos: “Uma Perspectiva Sistêmica Para a Terapia Familiar na Instituição”, Junho 1994, Ano III, Número 5, pág.44 a 48; “A Terapia Sistêmica de Casal: Da Objetividade à Intersubjetividade”, Dezembro1996, Ano V, Número 9, pág. 29 a 36; “A Noção de Rede Social e Mudanças no Pensamento Sistêmico Contemporâneo”, Dezembro 2000, Ano IX, Número 18, pág. 16 a 24, e o artigo “Ajustando o Foco: Adequando Conceitos e Técnicas no Trabalho com Famílias Pobres”, Junho 2003, Ano XII, Número 21, pág. 45 a 56. Este último artigo foi baseado na minha monografia do final do curso de “Trabalho Social com Famílias na Abordagem” Sistêmica”, promovido Associação Brasileira Terra Dos Homens- ABTH- RJ; participei da primeira turma - 03/2001 a 06/2002. Devido ao desejo de realizar algum trabalho na área social, fundei o “Grupo de Apoio à Família e à Adoção de Petrópolis - GAFAP” em 14/06/2002, e sou diretora até a presente data. Somos apoiados pela Universidade Católica de Petrópolis-UCP, e trabalhamos em parceria com o Juizado da Infância, da Adolescência e do Idoso da Comarca de Petrópolis. Como conseqüência da experiência com adoção escrevi o artigo “A Aventura “do Casal: Da Infertilidade à Adoção”, publicado pela Revista Pensando Famílias, publicação científica editada pelo DOMUS, Centro de Terapia de Casal e de Família – Porto Alegre, RS, Dezembro de 2008, vol. 12, Número 2, pág. 63 a 72. Desde 1997, ministro cursos de extensão, e de pós-graduação na Universidade Católica de Petrópolis-UCP. Sou membro Titular da Associação de Terapia de Família do Rio de Janeiro, tendo participado da Diretoria da ATF-RJ na gestão de 2202-2004. Sou membro da International Family Therapy Association- IFTA. Portanto, venho trabalhando com famílias e casais, assim como, ministrando cursos, palestras, workshops, apresentando trabalhos em congressos, e escrevendo artigos desde 1977 até a presente data. Espero que estas informações possam auxiliar na reconstituição da história da terapia familiar no Estado do Rio de janeiro. TERESA CRISTINA DO VALLE CHAGAS DINIZQuando me formei em Psicologia, aos 39 anos, já havia constituído família e um dos meus 4 filhos tinha se submetido, muitos anos antes, a uma psicoterapia individual (na época denominada ludo-terapia) da qual eu e meu marido participávamos através de sessões de acompanhamento com outra psicóloga. Não era permitido que falássemos com a terapeuta de nossa filha, o que gerava um incômodo diante da inflexibilidade de uma regra inquestionável. Acho que esta foi a origem de meu interesse por estudar famílias: se uma família era capaz de “adoecer” um de seus membros, deveria poder participar de um tratamento que a incluísse de uma forma menos alienante. No último período da faculdade, cursei uma cadeira de Avaliação Familiar, ministrada pela Prof. Terezinha Feres Carneiro e tomei conhecimento de que havia profissionais que trabalhavam com famílias com um outro referencial teórico que não a Psicanálise. Passei a buscar uma formação em Terapia de Família e encontrei o curso de especialização lato-senso do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB) que concluí em 1984. Nesse mesmo ano, constituímos, eu e mais 5 colegas, um grupo de estudos coordenado por Gladis Brun para dar continuidade a nossa formação. Em 1986, Gladis e Anna Maria Hoette, que coordenava um outro grupo de estudos no CEFAC, juntaram-se para dar início a um curso de especialização em Terapia de Família com enfoque sistêmico. No início de 1987, Lia Ganc e eu fomos convidadas a dar aulas teóricas para a 2a. turma que estava se candidatando ao curso. Essas 2 turmas deram continuidade a sua formação no Instituto de Terapia de Família do Rio de Janeiro –- ITF – RJ, fundado em outubro de 1987. Fui uma das fundadoras da ABRATEF e da ATF – RJ, a qual presidi em sua 1a. gestão e a 2a. presidente da ABRATEF no período de 1986 – 1988. Desde então, tenho participado das diretorias da ATF- RJ e, em 2010, estamos organizando o IX Congresso Brasileiro de Terapia Familiar, em Búzios. Durante esses anos venho desenvolvendo minha prática clínica em consultório particular e estudos teóricos através do ensino, e da supervisão, de cursos independentes ministrados por outros profissionais brasileiros e estrangeiros, assim como de participações de congressos nacionais e internacionais. TEREZINHA FÉRES-CARNEIROFaço parte da primeira geração de pioneiros da Terapia de Família e Casal no Brasil. Em 1970, ainda cursando a Graduação em Psicologia na PUC-Rio, iniciei minha formação em Avaliação Familiar, nos cursos de extensão em Arte-Diagnóstico Familiar, ministrados pela Dra. Hanna Kwiatikowska, professora da George Washington University, oferecidos ao longo de quatro semestres. Em 1973, a partir da experiência adquirida na referida formação, constituí uma parceria com a professora Lucia Ripper, para a criação de uma equipe de atendimento à comunidade e de formação de estagiários em diagnóstico e terapia de família, no Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) da PUC-Rio. No SPA, participei da formação em terapia de família de várias turmas de Graduação em Psicologia. Em 1975, concluí, na PUC-Rio, o Curso de Especialização em Terapia de Família e, concomitantemente, o Curso de Mestrado em Psicologia Clínica, ao longo do qual construí o primeiro método brasileiro de diagnóstico de família - a Entrevista Familiar Estruturada (EFE). A EFE foi posteriormente validada no estudo realizado como tese de Doutorado, defendida na PUC-SP em 1981, e hoje é publicada pela Casa do Psicólogo como teste psicológico aprovado pelo CFP. Em 1980, participei, juntamente com seis colegas, da criação da primeira instituição de formação em terapia de família no Rio de Janeiro, o CEFAC - Centro de Estudos de Família e Casal. Em 1983, integrei a Comissão Organizadora do I Encontro Nacional de Terapia Familiar, ocorrido na PUC/SP. Depois de uma formação e de uma atuação predominantemente sistêmicas, em 1988, realizei um estágio de pós-doutorado, com bolsa da CAPES e duração de 8 meses, no Instituto de Terapia Familiar de Roma e na Universidade de Paris 5, Sorbonne. Na Itália, fiz o Curso para Estrangeiros com Ana Maria Nicollò, Carmine Saccu e Paulo Menghi. Em Paris, trabalhei com Jean Lemaire, acompanhando Seminários Clínicos sobre Psicanálise de Família e Casal , e atendendo casais e famílias numa abordagem predominantemente psicanalítica. De volta ao Brasil em 1989, convencida da possibilidade de articular as abordagens sistêmicas e as abordagens psicanalíticas no atendimento a famílias e casais, passei a difundir tal postura teórico-técnica no ensino e na pesquisa, na área de família e de terapia familiar. Em 2005, implantei na PUC-Rio, juntamente com um grupo de ex-doutorandas, o Curso de Especialização em Terapia de Família e Casal, que tem como um dos objetivos tal articulação, propondo uma tríplice chave de leitura para a clínica de família e casal, que passe pelo intrapsíquico, pelo interacional e pelo social. Na última década, tenho mantido intercâmbios com terapeutas psicanalíticos de família e casal na França, tendo sido indicada, em 2007, como representante para a América Latina da Seção de Terapia Familiar Psicanalítica da Associação Européia de Psicoterapia Psicanalítica. Nos quase 40 anos atuando como psicoterapeuta de família e casal, tenho procurado articular a teoria, a clínica e a pesquisa, em busca de uma prática cada vez mais contextualizada socialmente. As primeiras publicações e orientações, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC-Rio, a grande maioria das quais sobre família e casal e terapia familiar e de casal, remontam ao ano de 1975. Desta época até a presente data – março de 2010 – orientei 22 teses de doutorado, 52 dissertações de mestrado e 20 monografias de especialização. A divulgação dos resultados das diferentes pesquisas desenvolvidas, no referido período, encontra-se nos 76 artigos que publiquei em periódicos científicos, 14 livros e 23 capítulos de livros. |
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