Gestões

OS PIONEIROS DA ATF-RJ

Definição da Comissão de História da ABRATEF

Definição da Comissão de História da ABRATEF: Aqueles que já faziam parte do movimento de terapia familiar até a fundação da ABRATEF em 1994. Os que iniciaram associações ou cursos nos quais ainda não existia o movimento, de terapia familiar em Estados ou Cidades em que ainda não existia o movimento, mesmo que tenha sido após a fundação da ABRATEF.

Nota da ATF-RJ: Todo associado que se enquadrar nesta definição de PIONEIRO deve encaminhar sua história para secretaria da ATF-RJ. A relação abaixo segue a ordem cronológica dos textos recebidos.

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MIRIAM FELZENSZWALB

Em 1981 fui para os EUA para fazer o meu mestrado em Social Work, na SAN JOSE STATE SNIVERSITY, CALIFORNIA. Um dos estágios do curso era numa escola que trabalhava com as famílias das crianças internas no programa. No ultimo ano do mestrado, 1983 comecei, paralelamente, um curso de Especialização em Terapia de Família, que terminei em 1984, quando voltei ao Brasil. Desde então venho trabalhando com famílias. Em 1987 fui para a França, onde fiquei até 1992. Neste período trabalhei , em ritmo de estágio na Clinique Dupré, com famílias de adolescentes internos e no Hospital Psiquiátrico Paul Brousse, com famílias de pacientes psiquiátricos. Em 1993 depois de um ano de volta ao Brasil, ingressei no Instituto Mosaico onde venho, desde então integrando a equipe de formação do curso de Especialização em Família que abriu este ano sua 15a. turma. O Mosaico é também meu local de prática clínica com casais, famílias, adultos e adolescentes. Em 2003 concluí meu doutorado em Saúde Coletiva com a tese: " OS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO PAI NO DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE E NA DINÂMICA FAMILIAR".

MOISES GROISMAN

Considero-me um dos pioneiros da terapia familiar no Rio de Janeiro e no Brasil, já que fiz a minha formação no exterior (Itália) em 1983, na 2a turma do “Practicum" , de Maurizio Andolfi; fundei a Núcleo-Pesquisas em 1985 (Agosto), instituição de formação em terapia familiar mais antiga em atividade no Brasil; produzi e apresentei em 1986 o filme "Trama Familiar", prêmio de melhor roteiro na XV Jornada Latino-Americana de Cinema de Salvador (Junho, 1986), no Family Therapy Festival (Heiloo, Holanda, Agosto) e prêmio de melhor direção do Rio Cine-Festival (Setembro). Além disso, realizei 44 videos científicos; publiquei seis livros sobre terapia familiar; criei o modelo sistêmico-vivencial de terapia familiar breve que já atendeu 400 familias e casais; e organizei 20 Simpósios e Encontros Regionais e Internacionais de Terapia Familiar  Sistêmica, que acredito ajudaram a difundir e divulgar o movimento de terapia familiar no Rio de Janeiro, Brasil e no Exterior.

MÔNICA CORRÊA MEYER

O trabalho de acompanhamento terapêutico na residência de pessoas em crise psicótica, alternativa a internações psiquiátricas, foi o mote para minha busca pela formação em terapia de família. No início dos anos 80 as comunidades terapêuticas viviam o seu declínio, mas já tinham deixado como herança para os trabalhadores de saúde mental a noção da  importância do trabalho com famílias. Herdeiro das comunidades terapêuticas ,  o  atendimento / acompanhamento de pessoas em crise psicótica nas suas residências era uma prática psi que implicava contato direto de psicólogos e psiquiatras, alguns estudantes,  no cotidiano das famílias.  Nesta época Lúcia Ripper, professora da PUC, realizava encontros com terapeutas no CEFAC (Centro de estudos de Família e Casal) a fim de dividir  a experiência que tinha tido com profissionais internacionais que vinham atuando com famílias: Salvador Minuchin, Maurizio Andolfi, etc. Durante 5 anos participei de um grupo de estudos  sobre terapia de família com atendimentos em sala de espelho, sob a supervisão de Lúcia; assim como participei de seminários com Maurízio Andolfi e Rosa Glasserman que vieram ao CEFAC ministrar cursos . No ano de 1988 iniciei a Especialização em Terapia de Família e Casal  no IPUB/UFRJ onde dei continuidade aos estudos na área.. Quando em 1991 passei no concurso para o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pude levar esta experiência de trabalho com famílias para os projetos da Vara da Infância e Juventude. O Estatuto da Criança e do Adolescente mudou o eixo das políticas de atendimento a crianças e adolescentes e trouxe a questão do trabalho com famílias para o foco das políticas públicas na área da infância e juventude. Em 1994 participei da implantação do Serviço de Orientação à Família da 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca da Capital e coordenei o Programa Escola de Pais, voltado para o atendimento de famílias envolvidas em processos de representação por maus tratos a seus filhos. Em 1998 reencontrei antigos companheiros de formação  em Terapia de Família que tinham fundado uma ONG, o Instituto Noos, com os quais também desenvolvi projetos sociais na área de violência intrafamiliar.

NAIARA GONÇALVES WIETHAEUPER

Meu interesse pela terapia de família iniciou-se em uma aula com Gladis Brun em 1985 onde encontrei na sua conversa uma resposta às minhas indagações quanto à terapia de crianças e adolescentes, durante meu curso de formação em psicanálise. Estava na época preocupada com os sintomas da criança e a função deles na família. Terapia de criança e adolescente e a orientação dos pais, um modelo de trabalho dos psicólogos na época não era suficiente na dissolução do sintoma.A terapia de família vinha com novas possibilidades. Iniciei minha formação em Terapia de Família em 1987 no ITF-RJ, concluindo em julho de 1991. Em julho de 1991 logo apos o curso realizei o Curso Intensivo sobre Terapia familiar Sistemica no Department of Psychiatry at Berkshire Medical Center and Family Center of Berkshire em Pittsfield.USA.com Carlos Sluzki, Pakman, Cecchin e Celia Falicov. Em fevereiro de 1997 participei do Curso Intensivo em Terapia de Família ( Practicum ) na Accademia di Psicoterapia della Famiglia em Roma com Maurizio Andolfi. Em 1999 participei do Curso Intensivo em Terapia de Família na Scuola Romana di Terapia Famigliare com Carmine Saccu. Na Scuola Romana já estive outras duas vezes trabalhando com Carmine e seus alunos por duas semanas em dezembro de 2000 e novembro de 2003. Ao longo destes anos tenho participado de todos os Congressos Brasileiros de Terapia de Familia apresentando trabalhos, coordenando mesas e plenárias, desde o 1º Encontro Brasileiro em Salvador em 1988.Também tenho estado em Congressos Internacionais como os congressos promovidos pela European Family Therapy Association em Barcelona, outubro de 1997 e Budapest, junho de 2001 e dos congressos promovidos pela International Family Therapy Association da qual sou membro associado, em Oslo, junho de 2000 , em Porto Alegre em novembro de 2001 e na Cidade do Porto em 2008 e dos congressos Internacionais em Buenos Aires promovidos pela Associação Sistemica de Buenos Aires em abril de 1997 e pelo Cefyp-20 anos, em1999. Em dezembro de 2000 participei como convidada do Convegno Internazionale " I Pionieri della Terapia Famigliare " em Roma. Tambem ao longo destes anos participei de cursos com profissionais com Maurizio Andolfi, Mony Elkaïn, Saul Fuks, Maria Rosa Glasserman, Adolfo Loketek, Joel bergman, M.Duncan Stanton,Stefano Cirillo, Russel Haber Michele Scheinkman, Florence Kaslow, Lynn Hoffman, Marcelo Pakman, Gianfranco Cecchin, Peggy Papp, Cloe Madanes, Tom Andersen , Humberto Maturana, Michael White e mais recente, em fevereiro de 2010 em Milão com Luigi Boscolo. Fui socia fundadora do CEFAI, onde tive a função de Diretora e Formadora desde o ano da sua fundação em 1991 até o ano de 2006 quando me retirei, com a decisão de continuar meu trabalho em minha clinica particular no meu consultório.

PAULO JOÃO RAAD

Meu contato com a Terapia de Família começou em 1983, no Hospital Psiquiátrico de Malêvoz, na cidade de Monthey, Vallais, na Suiça, sob supervisão de Vladimir Beckarevich, psiquiatra e terapeuta de família e, em seguida, com o vice-diretor do hospital, Dr. Roberto Hengking, Psiquiatra, psicanalista e terapêuta de Família. Em 1986 e 1987 fiz minha formação em Terapia de Família no "Centre d' Etudes sur la Famille"no Hospital Psiquiátrico de Cery da Universidade de Lausanne, Suiça, onde também havia feito meu curso de medicina. Voltei para o Brasil em 1988 e desde 1992 sou co-diretor do Instituto Mosaico onde realizamos um Curso de Especialização em Família.

ROSANA RAPIZO

Quando ainda estava na PUC, fazendo psicologia, no meu estágio, vi o primeiro atendimento de família na sala de espelho, realizado por Ary Band, então meu supervisor. Ao me formar, no ano de 1982, a intenção de continuar estudando me levou ao Instituto de Psiquiatria da UFRJ para a Especialização em Terapia de Família em 83. Concomitante ao curso, passei a fazer parte de um grupo de estudos sobre terapia de família coordenado por Anna Maria Hoette e Gladis Brun. Em 86 fui convidada para começar a dar aulas em outros grupos de estudo que já se formavam e nasceu o embrião do ITF para o qual fui convidada a participar por Gladis e Anna. Em 1987, inauguramos o ITF-RJ eu e mais sete sócias: Anna Maria Hoette, Gladis Brun, Teresa Cistina Chagas Diniz, Lia Ganc, Eloísa Vidal Rosana e Isabella Sá. No ITF, lecionando, coordenando a formação a partir de 1989 (o curso básico), participando da edição da revista Nova Perspectiva Sistêmica desde 1991, dirigindo a Instituição, supervisionando já mais de 300 alunos que passaram por lá, sinto que continuei minha formação e minha trajetória como terapeuta de família foi se consolidando. Coordenei a formação como um todo de1991 a 2008, tendo ficado afastada desta coordenação no período de 2000 a 2003. Participei de quase todos os Congressos de Terapia de Família, estava lá na primeira Assembléia da ABRATEF e na fundação da ATF – RJ. Criei e coordenei, junto com Jorge Bergallo, o primeiro encontro de Formadores em Terapia de Família no Congresso de Terapia de Família do Rio de Janeiro em 1998, privilegiando a conversa e a troca entre terapeutas de todo o Brasil. O interesse teórico e na clínica de famílias após a entrada no campo das abordagens construtivistas e construcionistas sociais me levaram a querer aprofundar a questão dos intervenções em terapia de família. Em 91 ingressei no mestrado em Psicologia Clínica da PUC e da dissertação de mestrado surgiu o livro Terapia Sistêmica de Família: da instrução à construção publicado pelo Instituto Noos em 96, que hoje é vendido em todo o Brasil, especialmente pelas instituições formadoras, já tendo tido duas edições. O estudo do movimento construcionista levou-me a pouco a pouco ir ampliando minha prática para outros grupos relacionais além da família. Surge a curiosidade de explorar a aplicação da teoria sistêmica, do construcionismo social, ao trabalho com grupos. Em 1997, no ITF, criei um projeto que se manteve até 2007reunindo o trabalho com grupos e divórcio. Com uma equipe, da qual participaram entre outras Maria Beatriz Costamilan e Nadia Moritz, realizamos grupos de homens, mulheres e adolescentes que passaram pelo divórcio em suas famílias. Este trabalho, sucesso por seus resultados e por sua originalidade levou-me a caminhos novos na minha clínica e na docência. O trabalho com grupos, organizações, equipes começa a se consolidar em minha prática. A partir de 1998, já fazendo parte da equipe do Instituto NOOS (ONG criada por ex-alunos e professores do ITF),da qual faço parte desde a sua fundação, passei a integrar o Núcleo de Gênero, Saúde e Cidadania. Lá coordenei dentro de um amplo projeto de trabalho com a violência intrafamiliar de gênero, grupos com mulheres em situação de violência, além de inúmeras capacitações para diversos tipos de públicos sobre visão sistêmica e violência, gênero e violência, etc. Além disto, desde a fundação do Instituto NOOS participei dos seus projetos de formação em Terapia de Família fora do Rio de Janeiro: em Campinas e Macaé. Em 1997, por ocasião do décimo aniversário do ITF, divulgamos a pesquisa que coordenei sobre a clínica social do ITF. A partir deste trabalho comecei a coordenar grupos de atendimento a famílias em situação de violência. O ITF como um pólo de ensino e aprendizagem sobre a terapia sistêmica de família também publicou a partir de 1991 a primeira revista sobre a terapia sistêmica no Brasil. Nova perspectiva Sistêmica onde comecei como assistente de edição e passei a editora em 1993, foi para mim um grande terreno para aprendizagem, contato com outros profissionais e desafios constantes. Em 2003, a partir de meu interesse e trabalho com grupos, fui convidada por Saúl Fuks a integrar uma equipe que ministra aqui no Brasil um curso sobre Facilitação Sistêmica de Processos Grupais, inspirado em experiências dele na Argentina, na França, etc. e numa parceria do ITF-RJ com a Fundación Moiru, de Rosário. Também em 2004 ministrei um curso sobre trabalho com grupos a partir do construcionismo social no Instituto NOOS. No período entre 2005 e 2007, a estrutura do ITF-RJ transformou-se havendo mudanças desde a área da equipe até mudanças físicas, de casa, etc. DE todas as transformações surge uma nova instituição o MULTIVERSA: terapia de família e práticas sistêmicas, dirigida por mim e por Eloisa Vidal Rosas. Mantendo o curso de formação em terapia de família e acrescentando outras práticas a seu “cardápio” de cursos, como a facilitação de grupos, Multiversa representou a ampliação das fronteiras da visão sistêmica para além da terapia de família e consolidou o alinhamento da equipe com as contribuições do construcionismo social. Em 2008, Multiversa fez uma parceria com o Instituto Noos no curso de formação e na revista Nova Perspectiva Sistêmica. Por esta época deixei a coordenação do curso de a edição da revista para ingressar no doutorado no Programa de Psicologia Social da UERJ, onde tenho minha pesquisa centrada na articulação do trabalho de grupos com a situação de divórcio. Com todas estas atividades, mais a clínica, artigos publicados, enfim, a história da terapia de família no Rio de Janeiro e no Brasil está encarnada em minha prática e em minha vida. Assim como acho que sou parte dela, ajudando a construir e consolidar os caminhos da terapia sistêmica no Brasil. Hoje a terapia de família já tem várias gerações de terapeutas e atuando e atuantes que ajudam a dar visibilidade e consistência ao campo. Muitos deles, tenho orgulho de dizer, foram formados nas instituições onde atuei e ainda atuo. Por outro lado, deixamos de ser um pequeno grupo de pioneiros onde todos se conheciam e se encontravam a cada Congresso para sermos uma enorme e produtiva comunidade de pessoas, uma rede que necessita comportar diversidade, identificações e, portanto grandes desafios.